Nossa aula começou de uma maneira muito legal: Escrevemos frases de Paulo Freire no quadro do CEDUC, em homenagem aos 20 anos de seu falecimento.
Já em sala, fizemos os comentários sobre o filme Silêncio que conta a história de dois padres jesuítas que foram ao Japão no século XVII à procura de um outro Padre que foi até o país para evangelizar os japoneses e tinham a notícia que o mesmo tinha negado sua fé e se tornado cidadão japonês. Os padres encontram uma situação de "ditadura", onde não podiam evangelizar e no decorrer da histórias passam por várias situações de fuga, tortura e morte de cristãos. Um dos padres morre em virtude dessas torturas e outro fica como refém do governo até negar a sua fé, vendo seus cristãos serem torturados e mortos. O filme mostra o conhecimento dos poderosos, da classe dominante (Igreja Católica) que tenta implantar sua doutrina em um outro país e o conhecimento poderoso (Governo Japonês) que mesmo usando armas "pesadas" lutam para manter a sua cultura, sua ideologia e sua história. Apesar dos sofrimentos dos cristãos japoneses é possível compreender que a Igreja não valorizava a cultura e a religiosidade do Japão, desligitimando esse povo, como acontece no currículo, onde as culturas locais não são valorizadas. Essa mesma resistência observada no filme, por parte dos cristãos, é vista no professor, explicando a sua permanência na educação, mesmo com tudo indo contra.
Para começarmos a discussão do livro Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, Professora nos propôs que escrevêssemos: uma frase, um principio, um questionamento, um conceito, uma palavra, uma cena, um significado e uma lição baseados no livro e relacionando com currículo e avaliação.
Antes de escrever o que eu redigi dessa atividade farei alguns comentários sobre o livro:
Paulo Freire tem a visão dos excluídos da sociedade e incentiva a luta pelos seus direitos. A escola tem um grande papel nessa luta. Para o autor formar é mais que treinar, ensinar é criar possibilidades para a produção e construção do conhecimento, onde a prática do ensinar-aprender é uma experiência diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, criticando a educação bancária. Aprender torna o sujeito curioso, uma curiosidade ingênua (senso comum) que caminha para uma curiosidade epistemológica. Nesse sentido, o educador tem tarefas muito importantes, já que deixa suas marcas nos alunos, portanto o professor deve:
- Criar métodos para extrair e instigar o conhecimento, com o pensar certo (com a realidade de mundo);
- Pesquisar para educar e se educar;
- Respeitar os saberes construídos pelos alunos, estabelecendo intimidade entre os saberes curriculares e as experiências sociais dos educandos;
- Ser crítico e curioso;
- Ser ético e responsável pelos seus atos;
- Ter a mínima distância entre o que fala e o que faz;
- Aceitar o novo e rejeitar a discriminação;
- Ter dialocidade e ser aberto ao diálogo;
- Refletir sobre sua prática para melhorar as próximas;
- Reconhecer e assumir a sua identidade cultural e levar os alunos a essa assunção;
- Ter consciência do inacabamento;
- Reconhecer como ser condicionado para ir além do que se sabe;
- Respeitar a autonomia e dignidade do educando;
- Ter bom senso;
- Ser humilde, tolerante e lutar pelos direitos;
- Apreender a realidade, o subjetivo do objeto;
- Ser alegre e esperançoso;
- Ter convicção de que mudar é possível (mudar é difícil, mas é possível), intervindo na realidade, gerando novos saberes, com leitura do mundo;
- Ter autoridade democrática (com liberdade e limite), competência profissional, generosidade, comprometimento;
- Tomar decisões conscientemente;
- Saber escutar;
- Reconhecer que a educação é ideológica;
- Ser aberto ao diálogo e querer bem aos educandos (afetividade).
Assim, todos esses saberes levam a uma educação humanizadora e a serviço da autonomia e da mudança.
No exercício proposto comecei com uma frase que me impactou muito desde a faculdade, sendo ela a frase que começa meu Trabalho de Conclusão de Curso e faço questão de reproduzi-la: "O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum desses passa pelos alunos sem deixar sua marca" (FREIRE, 2011, p. 64). Me pergunto então e faço essa pergunta aos meus colegas: Que marca quero deixar no meu aluno? Como quero ser lembrado por ele?
Um principio que Paulo Freire me mostrou foi que formar é mais que treinar, o que é tarefa difícil, sendo a Pedagogia Tradicional tão enraizada na educação, porém não sendo impossível, já que a prática de ensinar-aprender é uma experiência diretiva, política, ideológica, gnosológica, pedagógica, estética e ética. Questionamentos que, como educadora, devo sempre fazer é Como posso melhorar minha prática (auto formação docente)? Como ser críticos e fazer com que meus alunos também o sejam? Um dos caminhos para responder essas perguntas é o sujeito ter a liberdade para tomar as suas decisões, sendo responsáveis pelas consequências, bem como ser consciente do inacabamento, em constante aprendizado.
Nos comentários dos colegas foi possível perceber que cada um seguiu uma linha de pensamento, respondendo todas as questões nessa mesma linha de pensamento, porém todos (ou quase todos) os ensinamentos de Paulo Freire foram abordados nessa aula.
Terminamos a aula com uma imagem, no minimo emocionante, que nos dá esperança e nos enche de alegria: A foto da Maria Eduarda (filha da nossa amiga Michelli) que chegou ao mundo naquele dia.
Gratidão por tudo que tenho aprendido desde março de 2017.
Até o próximo diário.

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