quarta-feira, 24 de maio de 2017

Análise da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e Capítulo do livro Escola, currículo e avaliação.

Nossas tarefas semana passada foram analisar a Base Nacional Comum Curricular (Cada aluno com uma disciplina, a minha foi Geografia) e estudo do livro Escola, currículo e avaliação, de Maria Tereza Estebam (Micheli e eu ficamos com o capítulo 3 - Fundamentos, dilemas e desafios da avaliação na organização curricular por ciclos de formação).

Na análise da Base (BNCC) tivemos alguns questionamentos que nos orientaram:

1 - BNCC propõe sustentar o quê?
2 - Tente apontar nos conteúdos os princípios da introdução.
3 - Observe se há hierarquização de saberes.
4 - Os conteúdos demonstram as contradições do real?
5 - Correspondência dos conteúdos por séries de acordo com a idade e maturidade dos alunos?
6 - Sustenta currículo rizomático, projetos e integrados?

Após a leitura da Introdução e do BNCC de Geografia é possível perceber que ela propões sustentar, com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN), a formação humana integral para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Tem princípios de equidade e igualdade, superação da fragmentação disciplinar do conhecimento, aplicação do conhecimento na vida real, aluno ser protagonista da sua aprendizagem e importância do contexto.
Diante desses princípios e outros citados na introdução, e analisando os conteúdos propostos, podemos encontrar os seguintes princípios, separados por unidades temáticas:
a) O sujeito e seu lugar no mundo (pertencimento e identidade): contextualização, vida familiar e social, diversidade cultural, cidadania, igualdade, preservação do meio ambiente, educação no trânsito, tecnologia e interdisciplinaridade (história).
b) Conexões e escalas (sociedade e meio físico): contextualização, trabalho, igualdade, diversidade, educação de direitos humanos e tecnologia.
c) Mundo do trabalho: contextualização, trabalho, educação do consumo, tecnologias e preservação do meio ambiente.
d) Formas de representação e pensamento espacial: contextualização, diversidade cultural e igualdade.
e) Natureza, ambiente e qualidade de vida: contextualização, educação de consumo, preservação do meio ambiente, trabalho, tecnologia, cidadania e ciências.
Em relação a hierarquização de saberes não foi possível detectar no ensino de geografia, mas é possível ver com clareza as disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa como carga horária maior e "mais importantes" do que as outras disciplinas.
Os conteúdos demonstram as contradições do real, pois há muita contextualização nos anos iniciais, nenhuma interdisciplinaridade e pouca cidadania.
Analisando conteúdos e maturidade dos alunos, "parece" estar correspondente.
Diante de tudo que foi analisado, o currículo rizomático, por projetos e integrados não existem na BNCC.


Livro: ESTEBAM, Maria Tereza (org). Escola, currículo e avaliação. Ed. Cortez. 2003.

Capítulo 3 - Fundamentos, dilemas e desafios da avaliação na organização curricular por ciclos de formação - Ana Lúcia Souza de Freitas

Autora expõe que avaliação na  escola por ciclos é complexo e polêmico: onde não se questiona os processos que materializam a aprendizagem; a culpa da não aprendizagem é sempre do aluno; que há diferenças no que se propõe e o que é realizado na escola; que requer avaliação inclusiva para democratização do conhecimento e constituição de prática educativa libertadora, bem como a formação permanente na coletividade de reflexão sobre a prática é imprescindível.
Em Porto Alegre (RS) existe uma gestão democrática com a Escola Cidadã e o Projeto Constituinte Escolar para a reinvenção das escolas municipais.
Esse projeto teve quatro fases: Grupos temáticos; Encontros Regionais; Congresso Municipal Escola Constituinte e Construção de Regimentos Escolares.
Os grupos temáticos eram: Gestão (participação de todos); Currículo (aspectos à formação permanente, interdisciplinaridade, reorganização do tempo e espaço, relevância do saber popular e função social da escola); Princípios de convivência (constituição das regras respeitando a liberdade de expressão, respeito às diferenças, compreensão, tolerância e solidariedade) e Avaliação (observação, registro, reflexão, erro construtivo como necessário, auto avaliação e conselho de classe participativo).
Esse projeto gerou o documento referência para a Escola Cidadã estruturada por ciclos de formação, que parte do pressuposto que todo aluno é capaz de aprender e traz saberes para situação de aprendizagem. Sua organização curricular tem quatro aspectos fundamentais: Eliminar mecanismos que exclui e institucionaliza, criar mecanismos de inclusão, formação permanente e gestão democrática da escola, 
Sobre a avaliação, a autora aborda alguns pontos: ela está comprometida com a reorganização das práticas em função da aprendizagem, está ligada a todos os elementos e o conselho de classe participativo é importante; avaliação como prática da investigação, percepção das necessidades, é responsabilidade coletiva de transformar o que causa o fracasso escolar; e como prática de interrogar e interrogar-se, transformando em ações, pequenas mudanças, soluções individualizadas e impossibilidade de previsão exata (epistemologia da complexidade).
Em relação a progressão continuada/automática, a autora justifica que a reprovação gera frustração, baixa auto-estima e inferioridade, não garante a aprendizagem e não podendo ser a escola, ou o aluno, ou outros fatores externos serem os únicos responsáveis da não aprendizagem. Porém, junto com a eliminação da reprovação é preciso mecanismos de inclusão onde garanta que todos aprendam, levando em conta as peculiaridades de seu desenvolvimento como ser humano.
Sobre as turmas de progressão, a autora faz várias considerações: é interação com os pares, é valorização de aprendizagens anteriores (sendo ponto de apoio para novas aprendizagens), é recuperação da defasagem (faixa etária e escolaridade) dentro do tempo necessário, é a escola ser responsável pela aprendizagem dos alunos reorganizando-a para a inclusão. Os laboratórios de aprendizagem e sala de recursos são o apoio à ação educativa investigando o processo de construção do conhecimento e atendimentos diferenciados para sanar as dificuldades.  São três tipos de progressões: Progressão Simples (aluno passa normalmente), Progressão com Plano Didático-Pedagógico de Apoio (progride com um plano que leva em conta o que já aprendeu e mostra onde está a dificuldade para desenvolver) e Progressão Sujeita a Avaliação Especializada (progride com um plano de avaliação mais aprofundado das dificuldades para um plano didático individualizado que respeite as características especiais.
A autora sugere, então diante do exposto, aspectos para a reflexão-ação-investigação: diálogo de saberes para uma avaliação mediadora e como ato pedagógico insubstituível; erro como positivo, transformando em situações de aprendizagens, como objeto de investigação para a compreensão, acompanhamento e problematização do processo de aprendizagem; interação como provocação ao diálogo de saberes; intervenção para desafiar a ampliação dos conhecimentos; e registro para acompanhamento da aprendizagem.

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