quarta-feira, 26 de abril de 2017

Diário de Bordo - Aula 7 - 25/04/2017

A professora começou a aula falando da riqueza de aprendizagens da Ciranda de Formação do dia anterior com a Professora Ana de Paiva.

Nessa aula continuamos com as apresentações dos artigos:

- Avaliação do currículo no cotidiano, por mim;

- Porquê integrar o lápis no currículo do Ensino Básico? - Reflexão sobre a problemática das tecnologias na educação, pelo aluno Ney;

- Um breve olhar sobre a relação entre as tecnologias digitais e o currículo no início do séc. XXI - O digital e o currículo, pelas alunas Jaqueline e Letícia;

- O ato didático e o currículo em ação: Aproximações necessárias na formação de professores, pela aluna Ursula.

O primeiro texto começa com dois pressupostos: Avaliação e currículo têm relações íntimas e "todo saber é saber sobre uma certa ignorância e toda ignorância é ignorância de um certo saber", o que entendi como o "Só sei que nada sei" de Sócrates. O autor analisa discussões com seus alunos sobre Práticas avaliativas, grades curriculares dos cursos e fatos que envolviam avaliação e aprendizagem percebendo que há um processo hegemônico de formação (domínio, influência absoluta e liderança) onde os conhecimentos aprendidos estão deslocados da vida social cotidiana dos alunos, descartando o cotidiano como espaço-tempo. Para a ciência tudo se constrói, porém ela se opõe a opinião, mas a aprendizagem deve acontecer pelos sentidos. É possível enxergar que as escolhas teóricos-epistemológicos-metodológicos dão a identidade dos cursos, ou seja, o currículo é montado a partir de uma única verdade (o poder que regula e controla indivíduos, grupos, processos e práticas). A linguagem gera o mundo e o discurso que organiza o currículo e o conhecimento estão no poder (poder produz saber) e exemplo disso são as mídias que manipulam as pessoas. As diversas teorias existentes não dão conta da complexidade do cotidiano na educação e o autor exemplifica contando que os meninos "aviõezinhos" do tráfico no Rio de Janeiro sabem realizar as operações, mas não conseguem na escola, resolver um "arme e efetue". Olhando o currículo por esse lado vemos que o Estado é responsável pela a educação, nos resta saber para quem é feita essa educação e com quais finalidades. Concluindo, o autor fala que nos afazeres pedagógicos pode-se encontrar aprendizagens que vão nos atalhos do currículo (com o cotidiano) lutando contra o poder social e criando conhecimentos que vão além do que é imposto pelo currículo (vemos aí as brechas no currículo que falamos na aula passada).
O segundo texto fala que a tecnologia está fora da escola e com uma aprendizagem horizontal os alunos aprendem uns com os outros. Apresenta os conceitos de emigrantes digitais (que estão aprendendo a usar a tecnologia) e os nativos digitais (que já nasceram na era da tecnologia). Por isso, a escola está migrando para essa tenologia, mas sem contexto, então precisa se contextualizar e ter condições para o acesso. Nesse sentido é preciso que as TIC's sejam inovadoras, útil quando for além do quadro, transformadora, criativas, adaptáveis, flexíveis, com amplitude, com abrangência, com previsão, com colaboração e partilha.
O terceiro texto diz que aluno (com interesses valores, estilo de vida e cotidiano), professor (com seu contexto social e profissional) e o saber (tradicional) formam uma tríade na educação. Faz uma crítica às tecnologias nas escolas e às formações dos professores dizendo que o currículo é omisso quanto às tecnologias, os alunos ainda são visto como passivos (da teoria tradicional) e a escola se mantém fechada para a inovação ( o que precisa ser mudado). Esse fechamento da escola acontece, além da forma tradicional com a qual ainda é tratada, pelo fato de não haver planejamento, capacitação e investimento. O currículo precisa abordar o cotidiano formando o cotidiano escolar, aceitar que existe a tecnologia e essa precisa ser vista como um recurso, para assim nascer uma nova cultura escolar. O currículo precisa ser rizomático e ter brechas e essas brechas são chamadas de atos curriculares, na forma que acontece nas salas de aulas e até mesmo em espaços informais de aprendizagem.
Com esse gancho já entramos no último texto que explica que ato didático é a expressão do currículo em ação, que o currículo é motivo de disputas sociais, ideológicas e mercadológicas, mas ele precisa ser estudado e compreendido de forma integrada para superar dicotomias havendo cooperação e diálogo na sua elaboração. Os autores fazem um estudo histórico sobre o currículo desde a Grécia até atualmente para mostrar as dicotomias e aproximações nessa história. Depois, falam do ato didático enfatizando ensino e aprendizagem como processo continuo e indissociável, professor-aluno-saber como triângulo pedagógico, a escola precisar vincular ao cotidiano do aluno, professor estar em constante formação, a educação num processo humanizador numa didática multidimensional com investigação (ensino e aprendizagem), diálogos em sala de aula, construção de práticas e mediação e considerar uma rede de saberes (currículo rizomático). O texto termina dizendo da importância da formação inicial e continuada do professor (também no currículo e didática de forma integrada e interdependente), da participação deles na elaboração e execução dos conteúdos (já que eles são os mediadores entre currículo e alunos - agente ativo no desenvolvimento do currículo) e superação da dicotomia política-prática.

Acredito que essas duas últimas aulas, aliada com a situação de greve que o país se encontra devido as reformas nos fez estar mais críticos e de alguma forma, mais esperançosos.

Até a próxima aula.

Diário de Bordo - Aula 6 - 18/04/2017

Nossa aula começou com os comentários do XII Seminário Nacional da História da Matemática que aconteceu na semana anterior na UNIFEI e com um convite da Professora para a Ciranda de Formação do próximo dia 24 de abril.

Começamos as apresentações dos artigos propostos pela professora:

- A natureza da ciência nos currículos de ciências: Estudo do currículo de Ciências Naturais do 3° ciclo do ensino básico, pelo aluno Arian;

- Michael Young e o campo do currículo: da ênfase no "conhecimento dos poderosos" à defesa do "conhecimento poderoso", pelo aluno Carlos;

- Histórico do currículo e das disciplinas escolares: balanço da investigação portuguesa, pela aluna Michele;

- Currículo, avaliação e trabalho pedagógico: um olhar tridimensional sobre a escola organizada em ciclos, pela aluna Auxiliadora.

O primeiro texto faz uma análise do currículo na área das Ciências com base nos documentos "Currículo Nacional do Ensino Básico" e "Orientações Curriculares do Ensino Básico" onde a Natureza da Ciência se dá pelos aspectos filosóficos-metodológicos (métodos usados pelos cientistas para fazer a ciência), histórica que se constrói ao longo do tempo, psicológica dos cientistas que influencia na atividade científica e sociológica que engloba as relações sociais na comunidade cientifica e com a sociedade. Do outro lado está o discurso pedagógico como processo de construção, prática social na interdisciplinaridade, intradisciplinaridade, relação professor aluno, conceitos e avaliação. Assim, é possível perceber que o currículo não contempla a natureza da ciência, com uma grande distância entre as duas e fazendo com que a ciência seja mistificada, porém, mesmo com as especificidades das ciências, é preciso haver uma interligação entre ciências e currículo.
O segundo texto confirma o que o segundo expôs sobre o conhecimento poderoso, sendo aquele que torna o aluno crítico, transformador da sociedade e dá poder ao sujeito, e conhecimentos dos poderosos, que são aqueles "escolhidos" pelo governo para ser ensinado nas escolas de acordo com a ideologia de cada época, como papel político e garantindo a ordem social. Nesse sentido, há uma distância entre currículo e cotidiano, uma deficiência no currículo na formação de professores e concluí afirmando que conhecimento dos poderosos é dominação, já o conhecimento poderoso é libertação, que dá poder as lutas sociais e faz diferença para o sociedade. Assim é preciso encontrar as brechas do currículo.
O terceiro texto começa explicando sobre a cultura escolar que são teorias, ideias, rituais, comportamentos e atitudes que produz e institucionalizam as disciplinas. É preciso que aconteça a transposição didática, transformando as matérias científicas em disciplinas escolares como prática social (voltando aí novamente ao cotidiano), porém o currículo é uma regulação social, um governo de aulas, controlando a sociedade, valorizando o poder (governo da época) e com a análise dos autores desse texto é possível reconhecer na histórias das disciplinas por eles estudadas no artigo, na época da ditadura em Portugal, mostraram um adestramento (Parece que já ouvi essa história em outro país!). Nosso amigo Ney, nesse momento, fez uma reflexão que tenho certeza que foi importante para todos nós: "A escola está negando o inegável (as diferenças e a sua autonomia) perdendo assim, a sua legitimidade". Mas, vemos uma luz ao fim do túnel, apesar dessa "rigidez" do currículo, pois há uma subjetividade com a cultura fora da escola que penetra na escola pelas brechas do currículo.
O último texto apresentado na aula faz reflexões sobre o papel do currículo, avaliação e organização do trabalho pedagógico nas escolas organizadas em ciclos, sendo preciso reorganizar todo o contexto escolar desde o espaço físico até as formas de avaliação pensando na inter, multi e transdisciplinaridade, buscando a humanização num trabalho conjunto, de constante avaliação do trabalho docente e levando a formação continuada de todos os envolvidos com a aprendizagem.

Na próxima postagem continuaremos com os estudos dos artigos.

Abraços.

domingo, 16 de abril de 2017

Diário de Bordo - Aula 5 - 04/04/2017

De acordo com o texto lido sobre pós modernidade e análise do filme "O Substituto", fomos discutindo o assunto de teorias críticas e pós críticas de acordo com os slides apresentados pela professora:

- As teorias são definições que nos ajudam a entender o currículo;
- Crítica: papel da escola, critica as desigualdades e a escola como reprodutora;
- Pós-Crítica-pós-modernidade: É um desencantamento da modernidade, a partir da 2° Guerra Mundial;
- Teorias tradicionais se remetem ao passado, as Críticas ao futuro (utopia) e as Pós-Críticas ao presente (provisório);
- Modernidade tinha a objetividade;
- Pós-modernidade tem a subjetividade, nas narrativas, nos pequenos movimentos sociais (multiculturalismo), protagonismo (texto a ser lido, interpretado e compreendido);
- Currículos são baseados em filósofos, buscando significados, produz sujeitos, subjetividade, identidade;
- A pós-modernidade acaba as narrativas que impõe ideologias;
- Uma das críticas a pós-modernidade é que ela nega a existência de desigualdades sociais (minorias) e classes sociais, tratando-as como diferenças;
- Na pós-crítica o currículo é a construção de sentidos, desingessando o currículo, onde significados não são eternos, porém com riscos de fragmentar relações sociais, sem sistematização, limitando desenvolver o real do aluno e do mundo, não havendo transformação e podendo ser emancipador ou reacionário;
- Para Goodson o currículo é uma tradição inventada (passado e futuro);
- Currículo é o que acontece dentro e fora das disciplinas;
- Seres curriculares são todos os envolvidos na educação;
- Atos de Currículo é o que se faz (todas as atividades que acontecem nas escolas). Pode ser também da não aprendizagem do aluno. É dinâmico e complexo, está no lugar do imprevisível;
- Currículo de: conservação (planejamento, organização e disciplinas) e transgressão (projetos, atividades e avaliações) possibilitando a libertação ou a alienação;
- Entender um currículo é conhecer seus atos curriculares.

Agora, Avaliação da Aprendizagem... Afinal, o que é?
- É um percurso reflexivo (prática docente-professoralidade e profissionalidade-aprendizagem-ensino-processo avaliativo);
- Avaliação é a área que menos se mexe;
- Ser professor é aprendizado com competências específicas (profissionalidade que constrói a professoralidade com consciência, rede de interações, estar-sendo, postura pedagógica de ação-reflexão-ação;
- Aprendizagem é processo, individual, intransferível, motor, cognitivo, afetivo, conceitos, procedimentos, atitudes;
- Numa dimensão formativa a avaliação é constante (caminhos para a aprendizado, orientando a ação docente, replanejamento do tempo pedagógico, autorregulação da aprendizagem que constrói o que ainda precisa aprender). O aluno acompanha a aprendizagem;
- Avalia para conhecer o aluno, conhecimentos prévios, verificar aprendizado e ensino do professor;
- É importante existir a coerência entre como ensina e o tipo de avaliação a ser aplicada.

Diante de todo o exposto, segue o quadro comparativo das duas vertentes (tradicional e crítica) em relação à Educação e Avaliação:


Escola
Avaliação
Vertente conservadora
Estrutura dividida (elite e trabalhadores), currículo fragmentado, teoria sem prática, padronizado, mecanicista, receptiva, verdades absolutas, sem considerar a realidade do aluno e as realidades sociais, transmissão e memorização de informações e o aluno é passivo.
Verificar o desempenho do aluno, controle de qualidade, mecânico, seletivo, classificatória, quantitativo, memorização e repetição. Averiguação do que foi memorizado e medição da quantidade de informações retidas. Provas.
Vertente Crítica
Transformação social; luta contra a sociedade, discriminação e rebaixamento do ensino das camadas populares; leva em conta a experiência do aluno, o desenvolvimento motor, afetivo, cognitivo e social. O aluno é dinâmico e construtor do conhecimento.
Processo contínuo, diagnóstico, mostra informações úteis e necessárias sobre o desenvolvimento da prática pedagógica, parte integrante da práxis pedagógica, estar voltado para atender as necessidades dos alunos, erro direciona a prática, avaliação participativa, auto-avaliação, reflexivo, relacional e compreensivo. Orienta a base/ponto de partida para as próximas atividades.

Para a próxima aula cada aluno lerá um artigo para discussão.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Diário de Bordo - Aula 4 - 28/03/2017

Nossa aula começou com o convite da Professora Rita para participarmos do Projeto Cirandas de Formação, onde mestrandos irão coordenar um Grupo de Estudos com licenciandos da UNIFEI no decorrer do ano de 2017. Também fomos convidados a participar do GTPA no dia 01/04/2017.

Professora fez uma introdução sobre currículos para a discussão dos capítulos escolhidos. Currículo é construído na pressão e na tensão. Quando vem para as escolas é formal, porem é re-significado, passando por filtros, de acordo com o contexto, com o professor e o aluno.

Atos Curriculares são o que é efetivado, vivido por alunos e professores.

Currículo Oculto é aquele que não é percebido, são as práticas.Quando desoculta um currículo oculto, outro aparece, ou seja, é constante. Ele ensina valores, conceitos, comportamentos, preconceitos, inclusão, exclusão, etc.

A vertente Crítica problematiza as questões. Indaga qual é o papel da sociedade, qual professor, qual aluno e porque ensinar.

A vertente pós-crítica é aquela que crítica a vertente Crítica, pois não trazem soluções. Hoje traz questões culturais e enxerga o currículo como discursivo.

A vertente crítica é uma analise macro e a vertente pós crítica pergunta o que forma, onde currículo forma a identidade de cada um, desconstruindo, modificando e transformando o discurso. Essas críticas falam da manutenção da desigualdades, bem como diminui-las pelo diálogo.

A modernidade é o desenvolvimento para o progresso. A Pós Modernidade vem criticar em outras categorias. É uma análise micro (de culturas).

Foucaut dizia que todas as relações são de poder. Determinados poderes precisam de saberes para se manter.

Currículo risomático é aquele que não tem disciplinas, sem limites, desterritorialização.

A primeira equipe apresentou os textos que leram (Ney, Auxiliadora, Úrsula): "Cooperação escola-universidade e construção de currículo" e "O significado e a função da educação na sociedade e na cultura globalizada"

Começando pelo o último (Sacristan) é preciso entender o outro no contexto do outro (empatia).
Existem os Globafílicos (que ganha com a globalização) e os Globafólicos (tem aversão à globalização).
O currículo é atravessado por valores e culturas do lugar.
Escola é saber de base e Universidade é o saber específico. Eles andam juntos.

A segunda equipe (Arian, Micheli, Letícia e Priscila) leu os textos: "O currículo como trajetória, itinerário, itinerância e errância." e "Incerteza, tempos incertos e a teoria crítica do currículo."
A psicologia ajudou na construção de currículos. Currículo tem um itinerário a ser seguido, é passível de errâncias (que faz parte da aprendizagem), tem um conhecimento poderoso, tem uma lógica e é desenvolvido em várias lógicas.

O currículo está ligado ao conhecimento que leva a alteridade, construção coletiva e o diálogo.

Para a próxima aula faremos um quadro comparativo com a educação e avaliação das duas vertentes estudadas (crítica e pós-crítica), leitura de um texto sobre pós-modernidade e assistir o filme "O Substituto" para analisar com o currículo.