terça-feira, 27 de junho de 2017

Diário de Bordo - Aula 15 - 27/06/2017

Nossa última aula foi a apresentação dos nossos artigos:

As insuficiências da avaliação e currículo na escola tradicional (Giovana e Ney): O trabalho teve alguns objetivos como analisar o impacto do currículo na avaliação e vice-versa e como é o cotidiano de currículo e avaliação na perspectiva tradicional. Os colegas lembraram que os professores se preocupam com a conduta e as atitudes dos alunos quando avaliam. O artigo teve abordagens positivistas cartesiana e crítica/interpretativa. Na primeira a avaliação são notas, objetivas, igualitárias e inquestionáveis. Na segunda as verdades são passageiras, sem linearidade dos fatos, processual, subjetividade e o aluno é ser curriculante. Abordaram a questão da escola ser empresarial com as avaliações externas, assim a educação é um treinamento, o aluno é um produto, o professor é tarefeiro e aluno aquele que coloca o X no lugar certo. Diante disso o currículo se volta para essas provas e a consequência é o BNCC. Assim, é possível ver as resistências com o ressentimento dos professores, a denúncia da incoerência entre avaliação e desempenho e as avaliações formativas no PPP das escolas e redes. Compreende-se então que há professores que aceitam os sistemas de notas (ou são obrigados a aceitar); há professores que acreditam na utilidade de indicadores, mas entendem que o conhecimento não pode ser mensurado e as influências dos conflitos epistemológicos, as escolas se preocupam com indicadores.

A autoregulação da aprendizagem, currículo e avaliação (Arian e Letícia): Reflexão sobre o tema e como isso influencia o cotidiano dos alunos. Segundo FREIRE (que não é o Paulo) autoregulação é a tomada de consciência e autonomia, atrelada a capacidade dos alunos de refletirem e pensarem sobre os saberes. Definindo currículo MALTA escreve que ele vem carregado de intenções e significados, além dos conteúdos. Definindo avaliação, LUCKESI acredita que é atribuir valor ou qualidade a alguma coisa e auxilia o docente nas decisões sobre sua prática. Contextualizando é possível perceber que o mundo mudou, mas a escola não mudou. Nesse sentido, o modelo tradicional não atende de forma efetiva seu novo público, bem como seu currículo é defasado e não atendem às novas exigências sociais, pois nem sempre a linguagem da escola é a do aluno, portanto o currículo não pode ser pronto e acabado e os professores precisam ser preparados para essas novas exigências. Na avaliação, atualmente ela é reguladora, com resultados pré definidos, imposto pelo currículo e qualitativa. A avaliação autoreguladora precisa valorizar a autonomia dos alunos, torná-los responsáveis pelo seu aprendizado levando-o a refletir (auto avaliação),  valorizar os conhecimentos fora da escola, a subjetividade, o progresso, onde o professor enxerga as individualidade de cada um e seus resultados são qualitativos (avaliação diagnóstica). Assim, quebrando os paradigmas da educação tradicional e ensinando ao aluno a autoregulação.

Os caminhos da avaliação: um processo reflexivo (Micheli e Priscila): Nosso trabalho percorreu a história da avaliação, como era, como as teorias de aprendizagem da psicologia influenciaram; reflexão da relação entre currículo e avaliação; e a importância da avaliação emancipatória atreladas aos atos curriculares e sujeitos curriculantes.

O currículo e o "ainda não sei" (Auxiliadora e Carlos): O trabalho teve os objetivos de conceituar e caracterizar o "ainda não sei" e sua relação com currículo. No desenvolvimento do artigo foi possível compreender que há ausência desse termo na formação de professores, que o currículo é um instrumento de poder, que a educação é um processo, que esse conceito precisa ser trabalhado na formação de professores e alunos. Uma revisão do conceito de currículo foi realizada, passando por períodos históricos e sua relação com o conceito de "ainda não sei", onde a cultura, o currículo e a avaliação influenciam. Refletindo sobre o tema houve o entendimento que ele não almeja o final, criticando aí o currículo que visa os objetivos a serem alcançados e as avaliações do governo que reforçam o sabe e o não-saber, já que o "ainda não sei" é um processo contínuo.

Currículo, avaliação e inclusão: da realidade à integração (Jaqueline e Ursula): Abordaram questões de currículo, avaliação e inclusão no contexto da escola emancipatória. Exploraram os príncipios de complexidade (tudo que pode e é trabalho em conjunto) e da multirreferencialidade (interpretação, mais intensa acerca dos estudos do conhecimento, estando diretamente relacionada ao processo de reconhecer a complexidade abrangente nas práticas pedagógicas). Analisando que o currículo se amplia com as individualidades e a avaliação deve ser como tomada de decisão. Na perspectiva da inclusão houve a compreensão que é preciso haver as adaptações as necessidades e as especifidades; não é somente promover a inclusão do aluno; formar cidadãos críticos, reflexivos e questionadores; necessidade de escolas emancipatórias com foco no sujeito no seu processo de ensino e aprendizagem; o currículo ser discutido com olhar na inclusão e práticas pedagógicas no respeito e na diversidade e levando em conta que a educação é dialética, o currículo não pode ser homogeneizado.

Foram 15 aulas e três meses de muito aprendizado, onde nos tornamos mais críticos, mais autonomos e mais responsáveis pela a educação do éramos antes. 

Eu só tenho uma palavra para definir esse crescimento: GRATIDÃO!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Diário de Bordo - Aula 14 - 20/06/2017

Nossa aula começou com convites da Professora para eventos no Ceduc.

Carlos apresentou a proposta para o ensino de Artes que foi dividido em quatro momentos: Introdução, apresentação da Professora Marina, apresentação do Projeto Serelepe pelos alunos Gabriel e Vinícius da Fundação Roge (Delfim Moreira) e dinâmica.

Na introdução o colega Carlos explicou que não tinha como criticar a BNCC de Artes, pois está completa, SE tivesse como aplicar. Porém Artes está esquecida nos currículos, principalmente na formação de professores. Ela é transdisciplinar e questionadora, cria identidades, desenvolve a criticidade e a criatividade, por isso está sendo tirada do currículo, pois muda a sociedade e o governo não quer mudanças. Por ela ser transversal, professores das disciplinas e de artes deveriam trabalhar juntos. Professora considerou que artes está saindo das grades pela hierarquização de disciplinas, que ela é identidade, pois faz, se refaz, se constrói e se reconstrói. Artes é emancipatória e ideologia das classes dominantes colocam como devemos ser. Assim, a escola precisa reconhecer que existem conhecimentos diferentes.
Assistimos um vídeo que demonstra claramente tudo que foi falado. O palestrando fala da imprevisibilidade do futuro, do poder que as crianças tem de serem inovadoras e criativas, que elas não tem medo de errar. sendo esse erro o que leva a uma ideia original e, a escola discriminando o erro tira a criatividade. A hierarquização de disciplinas existe, pois matemática e língua portuguesa são para o mercado de trabalho e somente aptidão acadêmica é importante. Outros tipos de habilidade, como as das artes, não são. Isso me fez lembrar das inteligências múltiplas e dos diferentes tipos de Altas Habilidades e Superdotação, onde somente as inteligências e as habilidades que são vistas correspondem as de cunho acadêmico, o que hoje vários estudos mostram que não acontece, que as altas habilidades podem ser aquelas de um bom jogador de futebol (corporal cinestésica) ou de um músico (musical).

Nosso segundo momento teve uma sensibilização com a Professora Marina Fernandes, que começou a sua fala num momento doce. Com um BIS (material pedagógico) conseguiu nos mostrar a importância dos conhecimentos prévios, de ter acesso a conhecimentos e o buscar com que o aluno sempre queira mais. Ela mostrou duas imagens que com análise é possível enxergar além (a visão holística que professor precisa ter e que citei no diário de bordo da aula passada). Uma última imagem foi de uma flor que nasce em meio as pedras (Edelweiss) para nos dizer que é preciso inovar na educação e não podemos ser só mais um professor entre tantos. Esse momento acabou com uma música cantada por ela sobre esse assunto.

Nosso terceiro momento foi com os alunos Gabriel e Vinícius mostrando o quão gratificante para eles foi montar um projeto com o objetivo de ensinar educação ambiental para as crianças de um bairro especial de Delfim Moreira com brincadeiras, teatro, músicas e muita diversão. O aprendizado de Gestão da Educação Ambiental foi muito mais significativo do que se fosse numa aula expositiva.

Nosso último momento foi de criação e apresentação de formas diferentes (artístico) de apresentar um conteúdo de educação ambiental. Foram quatro grupos com auxílio de cinco pessoas que tem dom para musicalidade. O resultado não poderia ter sido melhor: o primeiro grupo apresentou um fado português sobre educação ambiental e tecnologia utilizando nosso contexto de Mestrado como conteúdo; o segundo grupo apresentou uma paródia da música Despacito falando do animal de estimação não ser um brinquedo; o terceiro grupo apresentou uma paródia de um funk falando sobre o consumo de água e o quarto grupo apresentou uma paródia da música Tocando em Frente falando sobre desmatamento e a seca dos rios.

Essa não foi nossa última aula, mas fechamos esse conteúdo tão importante com chave de ouro. A despedida vai ficar para a última aula da próxima semana.

Diário de Bordo - Aula 14 - 13/06/2017

Nossa tarefa para essa aula foi assistir o Filme Preciosa - Uma história de esperança.

O filme conta a história de uma adolescente de 17 anos que se chama Preciosa. Ela tem uma filha com Síndrome de Down, que mora com a bisavó e está grávida novamente. Os dois filhos são do seu pai. Ela está numa escola regular matriculada no Ensino Fundamental, porém atrasada. Tem bom rendimento em matemática, mas não está alfabetizada. A adolescente sofre muito bullying e é muito maltratada pela mãe. Nessa situação, a diretora da escola sugere que ela vá para uma escola alternativa (como Educação de Jovens e Adultos - EJA). Ela faz uma prova para ser matriculada no Ensino Médio, mas não tem sucesso. É portanto, matriculada no Ensino Fundamental. Nessa escola, Preciosa se depara com mulheres com dificuldades de aprendizagem e com histórias de vida parecidas com a dela. A professora atual usa o contexto das alunas para ensinar. Todos os dias elas escrevem no diário. Assim, o relacionamento entre professora e alunas e alunas e alunas se estreitam. Em sua vida pessoal, Preciosa precisa comparecer ao escritório da Assistente Social regularmente, pois sua filha e ela recebe um benefício do governo, que é controlado pela mãe de Preciosa. Numa dessas visitas, a moça conta para a assistente tudo que se passa com ela (o que sofre com a mãe e os abusos que sofreu do pai durante muito tempo). Com o nascimento do bebê (Abdul), Preciosa volta para casa e a mãe briga com ela. A adolescente foge com seu filho e vai para a escola. A professora tenta encontrar um abrigo para eles, mas não consegue. Então ela os leva para sua casa, onde Preciosa se sente amada e cuidada pela primeira vez. Após um tempo, mãe e filho vão para um abrigo, então ela descobre que tem AIDS, transmitida pelo pai. Ela pensa em desistir dos estudos para trabalhar, porém professora e amigas não deixam. quando tudo parece estar caminhando a mãe de Preciosa pede um encontro com a filha para a assistente social. Elas se encontram no escritório da assistente. Durante a conversa, a mãe conta que sabia dos abusos, que não entendia porque o pai fazia isso, que aconteciam desde que Preciosa era um bebê, mas culpa a filho pelo pai ter ido embora. Ele gostava mais de Preciosa do que dela, por isso sente ódio da filha. Após escutar tudo isso, Preciosa pega sua filha, que está com a avó e volta para o abrigo. A última cena é da adolescente indo embora do abrigo com seus dois filhos.

Relacionando o filme com Currículo e Avaliação é possível perceber que o Currículo da escola regular é tradicional e excludente. Em contra partida, o currículo da escola alternativa é de teorias críticas, bem como a avaliação das duas escolas são diferentes.
No filme, vários momentos a adolescente se vê como uma celebridade, o que é um mecanismo de defesa (Fuga) para as coisas horríveis que vivia.
A prática de escrita, no diário, é reflexiva. Visto como um currículo alternativo. As alunas se organizam e organizam o próprio pensamento, por isso é importante. Elas conseguem olhar para si mesmas. É terapêutico. Tem sentido para elas e ressignifica as experiências vividas. As atitudes da professora são de princípios pedagógicos da autonomia, pois ela se atentava mais nas construções do que nos erros.
O sucesso de Preciosa nos estudos levantou sua auto estima. Ela ganhou aponderamento. O conhecimento que ela ganhou fez com que ela reagisse. Ela teve resiliência, tinha tudo para desistir, desviar, mas quis estudar. A escola alternativa foi fundamental na vida dela.
Temos mais Preciosas em sala de aula do que podemos imaginar, portanto é necessário acolher os alunos com amor, como explica Paulo Freire e Luckesi. Se atentar nos sinais que os alunos passam com a agressividade, as dificuldades de aprendizagem, com a apatia e as atitudes negativas.
Ao mesmo tempo que o currículo de uma escola alternativa muda vidas, o currículo da escola tradicional é fundamental para a estagnação e para a regressão. Essa crise política que estamos vivendo afeta os atos curriculares e os sujeitos curriculantes, pois tira a ética, deforma currículos informais, determina currículos ocultos levando para as mesmas atitudes negativas, já que conhecimentos são vivências e experiências, além dos conteúdos do currículo formal, assim, alunos aprendem sobre ética, resiliência e empatia.
A vida do aluno é inteira, o currículo é compartimentado, fragmentado. Portanto, não tem como praticar uma educação emancipatória com um currículo tradicional.
Que possamos ter uma visão holística com nossos alunos para salvarmos as Preciosas que aparecerem em nossas vidas.

Nesse segundo momento, apresentamos as propostas alternativas da Base Nacional Comum Curricular:
- Matemática (Giovana e Letícia): Aponta o que o aluno tem que aprender, mas não onde e como usar. É conceitual, teórico e conteudista, do que aplicativo. Deveria dar suporte para a prática com os alunos, faltando multiculturalismo e trabalhar com o contexto de cada lugar para a aprendizagem se tornar significativa.

- Inglês (Ursula): É mais produção e leitura, sem gramática. Proposta de mais gramática dividida nas séries e produção/leitura no 8° ano.

-Informática (Ney): A proposta foi separado em tópicos, divididas em séries.
6.o Ano
  • Virtual e Real – Virtual x Físico
  • História da Internet
  • Redes Sociais (Aplicações, Utilidade e Ameaças)
  • Netiqueta (Como se comportar em Redes Sociais)

7.o Ano
  • Riscos do mundo virtual
  • Relacionamentos virtuais (Cyberbullying, Hating)
  • Segurança da informação

8.o Ano
  • Crimes por internet
  • Segurança da informação (Vírus, Ataques Hackers)
  • Confiabilidade de informações

9.o Ano
  • Licença de Software e Pirataria
  • Trabalhos Cooperativos Código Aberto
  • Wiki’s
  • Sistemas de autoria e compatilhamento (Sites, comunidades virtuais)

Esses temas podem ser trabalhos até o 5° ano como temas transversais, a partir do 6° ano como disciplina.
- Língua Portuguesa (Jaqueline e Micheli): As colegas fizeram três críticas, cópia no 1° ano e grafema e fonema no 2º e decodificação para a construção da autonomia, ou seja, BNCC é contraditória. A proposta é trabalhar a partir de gêneros textuais, com gramática contextualizada, currículo em espiral, quebrando a disciplinaridade e focando na interdisciplinaridade. A base aponta que o currículo pode ser montado como quiser, mas engessa/impede as possibilidades e destrói o pouco de autonomia que o professor tem.

- Libras (Priscila): Já postado nesse blog.

- Ciências (Auxiliadora): O tema Meio Ambiente não foi muito abordado. Trabalhar isso com projetos, primeiramente com o professor e, depois, com os alunos. Tirar os compartimentos dos conteúdos como na Língua Portuguesa.

- Educação Física (Arian): Proposta de aproximar as atividades do real da escola, como local e espaço físico e especificar como deve ser feito e como trabalhar com os alunos.

Diante de tudo que vimos é possível entender que o currículo é mais do que documento oficial, é a vivência no concreto. Essas propostas podem ser um currículo vivido. O professor precisa ser o protagonista, indo além da base e buscando a autonomia dos alunos.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Diário de Bordo - Aula 13 - 06/06/2017

Hoje continuamos as apresentações dos capítulos do livro Escola, Avaliação e Currículo.

Capítulo 6, Avaliação e currículo no cotidiano escolar, foi apresentado por Arian. Existem várias formas de avaliação, ela faz parte do currículo. Mas nem sempre é preciso aplicar prova para avaliar. Isso acontece o tempo todo explícita ou implicitamente. Quando se aplica a prova o professor precisa entender que nem sempre a lógica do aluno é a lógica do professor. Ele e quem avalia tem um poder na hora de avaliar. Só de saber que o conhecimento será testado, muitas vezes, aliás, na maioria das vezes há mudanças de comportamentos (insegurança, medo, ansiedade, nervosismo) que podem não mostrar o resultado correto das avaliações. A escola hoje, se preocupa muito com as avaliações externas, confirmando esse medo e poder, se preocupando com resultados, padronizando avaliação, currículo e material didático, ou seja, industrializando a educação. É necessário adotar formas de avaliação que atinjam a pluralidade. Não existe avaliação perfeita, mas é importante avaliar realmente o que ensinou, o que realmente os alunos aprenderam. Outra estratégia é criar mecanismos de auto-avaliação para o próprio aluno avaliar a sua aprendizagem (auto-regulação).
Capítulo 7, As afluências de um rio chamado avaliação escolar, apresentado pelo Ney aborda a incoerência do modelo tradicional de avaliação entendido como um mercantilismo do conhecimento (trabalho como um custo e pontuação como benefício) e não podendo ser neutra ou imparcial. Avaliação propicia a aprendizagem de valores humanos que não estão presentes no currículo. Avaliar tendo em vista a incompletude do outro, a dimensão do outro, pois o que vemos e sentimos do outro é somente uma parte do que ele é. Embora o sistema molda a educação, o currículo e a avaliação, é possível agir dentro dele para melhorar.
Capítulo 8, Avaliar o processo de aquisição da escrita: desafios para uma professora pesquisadora, apresentados por Carlos e Jaqueline nos deixou uma frase marcante "O que o aluno AINDA não aprendeu." Essa frase é um conceito entre o que o aluno não aprendeu e o que ele já aprendeu, que relacionando com Vigotsky, pode-se dizer que é a Zona de Desenvolvimento Proximal (conceito que fica entre o que o aluno sabe e o que ele vai aprender). Se o professor não levar em conta a palavra AINDA nessa frase pode deixar marcas negativas profundas na aprendizagem do aluno, desmotivando-o e ceifando o seu desenvolvimento. Quando avaliar é preciso passar da homogeneidade para a heterogeneidade, é preciso inclusão para todos, já que as avaliações classificatórias excluem. 
Nesse momento da aula surgiu uma pergunta: o que se avalia quando avalia o aluno? Várias respostas foram abordadas: se avalia pois o sistema exige, para avaliar o trabalho do professor, para avaliar se os objetivos foram alcançados, para avaliar se os alunos aprenderam. Na resposta dos objetivos ficou a dúvida: como os objetivos de ensino são definidos pelo sistema, como o aluno vai atingir objetivos que não são deles? Daí a importância da contextualização!!
Voltando ao capítulo, as professoras-autoras chegaram a conclusão que devem avaliar cotidianamente na sala de aula, ou seja, avaliar o processo e não o produto. Para finalizar a análise do texto nosso colega Carlos, fez uma consideração interessante e que nos enxergamos nela: GTPA e todas as ações de professores na educação continuada é um "ainda não saber" onde estamos sempre procurando respostas e "socorros" para ser melhor do que era ontem!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Diário de Bordo - Aula 12 - 30/05/2017

Nossa aula foi a apresentação dos capítulos do Livro Escola, Currículo e Avaliação.

Capítulo 1, Ser professora, avaliar e ser avaliada, foi apresentado pela Auxiliadora. Avaliar é mobilização, mediação, dá identidade ao professor, normatiza a ação e define etapas/procedimentos. O método de avaliação atual que normalmente se tem nas escolas é a classificatória, onde não proporciona diálogos, distancia os sujeitos, visa resultados e metas, é manipuladora, empobrece as relações sociais, o subjetivo não é levado em conta, é quantitativa, reduz a cooperação entre sujeitos, é individualista, busca a uniformização do sujeito e não leva em conta o saber do aluno levando a exclusão do aluno. Avaliação que deve acontecer é a emancipatória, qualitativa, que ressalta a positividade do aluno, que avalia o processo, de cooperação, observação constante e auto avaliação. Para mudar a avaliação é preciso mudar o currículo. O professora, quando avalia, é também avaliado, num processo coletivo, cooperativo, solidário, buscando a ampliação permanente da qualidade da escola.
Capítulo 2, Avaliar a escola e a gestão escolar: elementos para uma reflexão crítica, foi apresentado pela Letícia, que começou nos falando da escola como burocrática, com regras e de ensino formal e a escola pública que forma cidadãos e com função de socialização. A avaliação institucional não pode ser generalizada, pois as culturas e o social são diversificados, portanto é preciso considerar a administração, a realidade e o meio social, sendo emancipatória e não reguladora. No caso das avaliações externas pode se ver interesses do neoliberalismo e gestão empresarial visando o capitalismo, comercializando a educação. Assim o trabalho do professor se torna o taylorismo, num sentido técnico que aplica saberes de outros. A avaliação é quantitativa, não considerando a subjetividade e a realidade da escola e avalia se o professor sabe aplicar. Se os resultados forem ruins o sistema pressiona a gestão que pressiona o professor. Para o neoliberalismo, não é necessário alunos críticos,, pois não precisa de seres pensantes, e sim, alienados para o mercado. Nesse sentido, a escola não pode pensar em ser uma empresa que gera lucro e é preciso uma auto avaliação da escola feita por toda a comunidade.
Capítulo 3, Fundamentos, dilemas e desafios da avaliação na organização curricular por ciclos de formação, apresentados por Micheli e Priscila, já foi exposto nesse blog e só é preciso completar que a organização da escolas por ciclos é muito interessante e que dá ótimos frutos, porém ela não é aplicada da forma correta.
Capítulo 4, Templos construídos sobre templos: a história da América Latina e o cotidiano da escola, foi apresentado pela Giovana que nos levou a pensar sobre a transmissão cultural, onde os esteriótipos são levados para a escola e isso prejudica a educação e que mesmo que tentem apagar uma cultura e os saberes dela para dar lugar as concepções culturalistas de educação, felizmente não é possível, pois existem lembranças que não deixam. Assim, a escola precisa levar em conta o sujeito complexo, com culturas, saberes e que é integral e o professor aprender a dialogar com a sua própria ignorância.
Capítulo 5, Conversas sobre avaliação e comunicação, foi apresentado pela Ursula, que iniciou dizendo que avaliação desperta em cada pessoa diferentes sentimentos e emoções (subjetividade), que somos iguais perante a lei, mas que a sociedade é desigual, onde as práticas avaliativas tenta igualar a todos: Como avaliar uma sala com tantas diversidades com uma prova igual? Até que ponto estamos considerando a razão do outro, a lógica do outro, a cultura do outro na avaliação? É necessário o diálogo entre aluno e professor, pensar a escola com contexto, educação como tessitura de conhecimentos, como espaço de relações sociais, respeitando as diferenças, considerando os conhecimentos prévios, avaliação em um espaço-tempo, auto-avaliação do professor e aluno como subjetivo.

Na próxima aula continuaremos com os capítulos e fecharemos o assunto da BNCC.

sábado, 27 de maio de 2017

Currículo de Libras para a Educação Básica

A tarefa essa semana foi bem interessante, cada um elaborar ou melhorar um currículo da Educação Básica. O meu foi elaborar um currículo de LIBRAS para a Educação Básica:

CURRÍCULO DE LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA

            A LIBRAS é a Língua Brasileira de Sinais utilizada para designar a língua brasileira das pessoas surdas, já que cada país tem sua própria língua. É de modalidade visual-espacial que usa a visão para sua apropriação e de elementos corporais e faciais, organizados em movimentos no espaço, para constituir unidades de sentido (os sinais). É um sistema de representação e de comunicação. Em um primeiro momento, pode-se desenvolver com os alunos o sentimento de empatia com atividades que eles “façam de conta” que são surdos, para sentirem na “pele” como é ter essa diferença. Levando em conta que Libras é muito mais atividades práticas do que teóricas, pode se trabalhar os assuntos com os alunos se movimentando e todo recurso que tenha a imagem como metodologia, como desenhos, filmes, imagens, tirinhas, tecnologias, livros, entre outros, serão de importante ajuda ao trabalho do professor. Portanto, ensinar a LIBRAS de acordo com a aprendizagem dos conteúdos de Língua Portuguesa, conteúdos de outras disciplinas e de acordo com o contexto do aluno e da escola à medida que as oportunidades forem surgindo. Essa língua pode ser ministrada a partir do 1° ano do ensino fundamental, respeitando a maturidade cognitiva dos alunos.
            Alguns conteúdos/assuntos que podem ser desenvolvidos com os alunos para a aprendizagem de LIBRAS:
            - O que é surdez (o que é, o que acontece, porque ocorre, como é ser surdo);
- Libras (o que é, para quê, configurações – mão, ponto de articulação, movimento e expressão facial e corporal);
- Alfabeto manual ou datidologia;
- Nomes de pessoas do convívio, da cidade, do bairro;
- Apresentação pessoal;
- Números;
- Saudações;
- Substantivos;
- Adjetivos;
- Emoções;
- Frases;
- Histórias;
- Explicação;
- Diálogo;
- Transmissão de recados;

- Orientações de trajetos.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Diário de Bordo - Aula 11 - 23/05/2017

Nossa aula começou com alguns considerações da Professora sobre a BNCC de dois artigos lidos por ela: há muito tempo tem a necessidade de uma base nacional curricular e base comum e base diversificada já estavam na LDB 5692/71. Nos anos 70 e 80 houve um movimento em favor da formação de professores e discussão de experiências para montar a base nacional curricular, portanto Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) eram referencia. Hoje, o currículo é organizado em áreas de conhecimentos e as escolas tem autonomia para não dividir em disciplinas. É possível perceber MEC, Governo e Instituições Privadas juntos para a elaboração de Bases curriculares visando a manutenção do capitalismo; currículo é na verdade uma disputa de poder e a base nacional comum curricular norteada pelas avaliações internacionais, desconsiderando as especificidades regionais, formando uma identidade nacional (com definições de conhecimento), ou seja, a BNCC é um retrocesso para o tradicional, engessando o currículo e tirando a autonomia do professor. Lembrando que para a elaboração da nova base os professores não foram ouvidos e o conhecimento é visto como uma mercadoria. Na verdade, antes de mudar essa base era preciso investir em formação de professor, mas o que parece é que as universidades estão caladas.

Lemos um texto de Rubem Alves com o título Gaiola e Asas:

Os pensamentos chegam-me de um modo inesperado, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que, frequentemente, também Lichtenberg, William Blake e Nietzsche eram atacados por eles. Digo atacados porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Os aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, este aforismo atacou-me: Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controlo. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados têm sempre um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri, conversando com professores em escolas. O que eles contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças… E eles, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações… Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra – e os domadores com os seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.
Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que os fecha com os tigres. Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes? Ou serão as escolas que são violentas?
As escolas serão gaiolas? Vão falar-me da necessidade das escolas dizendo que os adolescentes precisam de ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: as nossas escolas estão a dar uma boa educação? O que é uma boa educação? O que os burocratas pressupõem sem pensar é que os alunos ficam com uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.
Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Sabe o que é um “dígrafo”? E conhece os usos da partícula “se”? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante”? Qual é a utilidade da palavra “mesóclise”? Pobres professores, também engaiolados… São obrigados a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é um hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata a sua experiência com as escolas: Fui forçado (!) a estudar o que os professores decidiam que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira.
 O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que a inteligência era a ferramenta e o brinquedo do corpo, Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender ferramentas, aprender brinquedos. As ferramentas são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. Os brinquedos são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.
Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. As ferramentas permitem-me voar pelos caminhos do mundo. Os brinquedos permitem-me voar pelos caminhos da alma. Quem está a aprender ferramentas e brinquedos está a aprender liberdade, não fica violento. Fica alegre, ao ver as asas crescer… Assim todo o professor, ao ensinar, deveria perguntar-se: Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo? Se não for, é melhor pôr de parte. As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se as escolas são gaiolas ou asas.
Mas eu sei que há professores que amam o voo dos seus alunos.
Há esperança…
Refletindo a partir desse texto (forte e verdadeiro) podemos dizer que currículos que determinam são gaiolas e mesmo que saia da gaiola pode não voar mais. Isso, pois currículo é formação de identidade, controle social e tem haver com um projeto de nação. Os professores nesse caso são instrumentos de poder e os cursos de formação são gaiolas.
Começando as análises do BNCC, a primeira questão sobre o que a base sustenta o grupo foi unânime nas resposta, completando que parece que não existe desigualdades, problemas. A base nega um currículo unilateral e a formação de professores precisa acontecer de acordo com a BNCC. Portanto, a base é ideológica, hegemônica, engessada, que engaiola, com disciplinas e conhecimento absoluto, não considerando o coletivo e negando uma sociedade dividida em classes. Foi possível perceber nas falas dos colegas que os princípios da introdução aparecem muito pouco, alguns não aparecem nada, com menos conteúdos; contraditória; confusa; sem criticidade; generalizada; sem interdisciplinariedade; sem contextualização; hierárquica (português e matemática); e fora da realidade e maturidade dos alunos (no caso do Inglês).
Assistimos um vídeo que nosso colega Carlos nos mostrou sobre a educação atual, ainda tradicional e com a reflexão do nosso colega Ney percebemos que todos nós mudamos como pessoa e estamos mais críticos com tudo que estamos aprendendo nesses dois meses de aula.
Que possamos como professores dar asas aos nossos alunos!