A professora começou a aula falando da riqueza de aprendizagens da Ciranda de Formação do dia anterior com a Professora Ana de Paiva.
Nessa aula continuamos com as apresentações dos artigos:
- Avaliação do currículo no cotidiano, por mim;
- Porquê integrar o lápis no currículo do Ensino Básico? - Reflexão sobre a problemática das tecnologias na educação, pelo aluno Ney;
- Um breve olhar sobre a relação entre as tecnologias digitais e o currículo no início do séc. XXI - O digital e o currículo, pelas alunas Jaqueline e Letícia;
- O ato didático e o currículo em ação: Aproximações necessárias na formação de professores, pela aluna Ursula.
O primeiro texto começa com dois pressupostos: Avaliação e currículo têm relações íntimas e "todo saber é saber sobre uma certa ignorância e toda ignorância é ignorância de um certo saber", o que entendi como o "Só sei que nada sei" de Sócrates. O autor analisa discussões com seus alunos sobre Práticas avaliativas, grades curriculares dos cursos e fatos que envolviam avaliação e aprendizagem percebendo que há um processo hegemônico de formação (domínio, influência absoluta e liderança) onde os conhecimentos aprendidos estão deslocados da vida social cotidiana dos alunos, descartando o cotidiano como espaço-tempo. Para a ciência tudo se constrói, porém ela se opõe a opinião, mas a aprendizagem deve acontecer pelos sentidos. É possível enxergar que as escolhas teóricos-epistemológicos-metodológicos dão a identidade dos cursos, ou seja, o currículo é montado a partir de uma única verdade (o poder que regula e controla indivíduos, grupos, processos e práticas). A linguagem gera o mundo e o discurso que organiza o currículo e o conhecimento estão no poder (poder produz saber) e exemplo disso são as mídias que manipulam as pessoas. As diversas teorias existentes não dão conta da complexidade do cotidiano na educação e o autor exemplifica contando que os meninos "aviõezinhos" do tráfico no Rio de Janeiro sabem realizar as operações, mas não conseguem na escola, resolver um "arme e efetue". Olhando o currículo por esse lado vemos que o Estado é responsável pela a educação, nos resta saber para quem é feita essa educação e com quais finalidades. Concluindo, o autor fala que nos afazeres pedagógicos pode-se encontrar aprendizagens que vão nos atalhos do currículo (com o cotidiano) lutando contra o poder social e criando conhecimentos que vão além do que é imposto pelo currículo (vemos aí as brechas no currículo que falamos na aula passada).
O segundo texto fala que a tecnologia está fora da escola e com uma aprendizagem horizontal os alunos aprendem uns com os outros. Apresenta os conceitos de emigrantes digitais (que estão aprendendo a usar a tecnologia) e os nativos digitais (que já nasceram na era da tecnologia). Por isso, a escola está migrando para essa tenologia, mas sem contexto, então precisa se contextualizar e ter condições para o acesso. Nesse sentido é preciso que as TIC's sejam inovadoras, útil quando for além do quadro, transformadora, criativas, adaptáveis, flexíveis, com amplitude, com abrangência, com previsão, com colaboração e partilha.
O terceiro texto diz que aluno (com interesses valores, estilo de vida e cotidiano), professor (com seu contexto social e profissional) e o saber (tradicional) formam uma tríade na educação. Faz uma crítica às tecnologias nas escolas e às formações dos professores dizendo que o currículo é omisso quanto às tecnologias, os alunos ainda são visto como passivos (da teoria tradicional) e a escola se mantém fechada para a inovação ( o que precisa ser mudado). Esse fechamento da escola acontece, além da forma tradicional com a qual ainda é tratada, pelo fato de não haver planejamento, capacitação e investimento. O currículo precisa abordar o cotidiano formando o cotidiano escolar, aceitar que existe a tecnologia e essa precisa ser vista como um recurso, para assim nascer uma nova cultura escolar. O currículo precisa ser rizomático e ter brechas e essas brechas são chamadas de atos curriculares, na forma que acontece nas salas de aulas e até mesmo em espaços informais de aprendizagem.
Com esse gancho já entramos no último texto que explica que ato didático é a expressão do currículo em ação, que o currículo é motivo de disputas sociais, ideológicas e mercadológicas, mas ele precisa ser estudado e compreendido de forma integrada para superar dicotomias havendo cooperação e diálogo na sua elaboração. Os autores fazem um estudo histórico sobre o currículo desde a Grécia até atualmente para mostrar as dicotomias e aproximações nessa história. Depois, falam do ato didático enfatizando ensino e aprendizagem como processo continuo e indissociável, professor-aluno-saber como triângulo pedagógico, a escola precisar vincular ao cotidiano do aluno, professor estar em constante formação, a educação num processo humanizador numa didática multidimensional com investigação (ensino e aprendizagem), diálogos em sala de aula, construção de práticas e mediação e considerar uma rede de saberes (currículo rizomático). O texto termina dizendo da importância da formação inicial e continuada do professor (também no currículo e didática de forma integrada e interdependente), da participação deles na elaboração e execução dos conteúdos (já que eles são os mediadores entre currículo e alunos - agente ativo no desenvolvimento do currículo) e superação da dicotomia política-prática.
Acredito que essas duas últimas aulas, aliada com a situação de greve que o país se encontra devido as reformas nos fez estar mais críticos e de alguma forma, mais esperançosos.
Até a próxima aula.
Excelente texto priscila. Ficou joia! Só que não é emigrantes digitais, e sim imigrantes digitais. ;) Adorei!
ResponderExcluirUm apanhado completo do que foi tratado em classe. Muito bom!
ResponderExcluir