UMA ABORDAGEM SOBRE CURRÍCULO E
TEORIAS AFINS VISANDO À COMPREENSÃO E MUDANÇA
No olhar tradicional, currículo era
um tópico técnico (organização) sendo neutro, científico e desinteressado.
Nos olhares críticos e pós críticos
o currículo era visto como campo ético e moral relacionando saber, identidade e
poder.
Teorias críticas questionavam a
solidificação do currículo e passavam do conceito pedagógico para os de
ideologia e poder. Para as teorias pós críticas o currículo forma o que o
indivíduo é.
É possível entender que o currículo
está presente no dia a dia da educação influenciando pessoas, processos
escolares, sociedade, decisões e atitudes.
Definir currículo não é uma tarefa
fácil, pois existem várias definições de acordo com a sua época histórica,
corrente pedagógica e teoria de aprendizagem, como por exemplo, o enfoque
tradicional, o cognitivo, o técnico, o de auto-realização e o de reconstrução
social. Alguns veem essa temática como objeto da atividade, mas é aluno e
professor que a colocam em prática.
Currículo é muito usado para definir
programas de uma disciplina ou curso, seus materiais e suas metodologias. Porém
é importante para a definição de currículo pensa-lo com as seguintes perguntas:
Para que ensinar? Para quem ensinar? O que ensinar? e De que forma ensinar?
Essas questões são importantes, pois existem valores, ideologias, interesses e
necessidades e precisando de referenciais filosóficos, históricos e políticos
para defini-los sempre dependendo de um projeto de homem e sociedade que se
almeja, bem como a proposta pedagógica determinada.
Na sala de aula o currículo é
percebido como formal (o que é desejado), operacional (o que ocorre), percebido
(o que o professor diz desenvolver) e experenciado (o que o aluno percebe e reage).
O currículo aparece primeiramente
nos EUA em 1920 com a industrialização e seu modelo é a fábrica. Ele está
relacionado ao que o ser humano é, o que desenvolve, o que ele se torna, bem
como envolvendo questões de poder em todas as relações da sociedade.
O currículo para ser moldado tem a
seleção do conhecimento que é importante para quem vai segui-lo, buscando a
modificação dessas pessoas e sendo uma questão de identidade, onde se
concentram as teorias dos currículos, que dão prioridade a natureza da
aprendizagem, conhecimento, cultura, sociedade e humana:
- Teoria Tradicional: Identifica os
objetivos da escola, forma o trabalhador especializado (exercer suas obrigações
profissionais com eficiência) e proporciona a educação acadêmica. Tem como
palavra-chave a eficiência, organizado de forma mecânica e burocrática. Visava
o levantamento e desenvolvimento de habilidades, planejando e elaborando
instrumentos de avaliação. Para que isso fosse feiro era preciso um estudo
sobre os discentes, vida fora da escola e sugestões de especialistas,
respeitando a filosofia social e educacional bem como a psicologia de
aprendizagem. Outra teoria dentro da tradicional (Dewey) se preocupava com a
democracia, considerando os interesses e experiências dos alunos.
- Teoria Crítica: Tendo como ponte o
currículo a ideologia dominante transmite seus princípios e sua cultura nas
disciplinas e conteúdos, reproduzindo seus interesses, fazendo com que as
classes dominadas se tornem submissas à classe dominante, fato esse, percebidos
nas escolas de atualmente, principalmente observando as particulares e
públicas, onde é possível perceber que a classe dominada frequenta a escola até
o nível básico de escolarização. Outras teorias dentro da Crítica podem ser
observadas, como: a reconceptualização que enfatizava observar as experiências
cotidianas de forma pessoal e subjetiva e levar em conta como os envolvidos
desenvolviam os significados sobre o conhecimento; Apple, baseado nas análises
de Marx, que considera analisar valores, normas, disposições e ideologias que
compõe o currículo; Henry Giroux compreendia o currículo como meio de emancipar
e libertar, exercendo práticas democráticas, fazendo com que o aluno participe,
discuta e questione as práticas sociais, políticas e econômicas, criando
significados sociais; Paulo Freire considerava que currículo era uma educação
bancária, onde informações e fatos eram transferidos de professor para aluno e
propondo o conceito de educação problematizadora, que utiliza as experiências e
realidade dos alunos para planejar os conteúdos programados, tornando a
aprendizagem significativa; a Nova Sociologia da Educação se preocupava com o
processamento de pessoas e não de conhecimentos; de Berstein que definiu três
sistemas de mensagem na educação formal: currículo (conhecimento básico),
pedagogia (transmissão válida do conhecimento) e avaliação (realização válida
do conhecimento), se preocupando também com a estrutura do currículo; e um
ponto importante: o Currículo Oculto, onde nem tudo que se é ensinado é
explicito, nem tudo é teoria, como a aprendizagem de comportamentos, valores e
atitudes, que podem ser positivas ou negativas (regras, rituais e regulamentos)
e é preciso verificar essas práticas e conhecimentos para mudar quando for
preciso.
- Teorias Pós Críticas: Essa teoria
destaca a questão do multiculturalismo contra a cultura branca, masculina,
europeia e heterossexual, entendendo que a tolerância, o respeito e a
convivência harmoniosa entre as culturas faria com que todos tivessem seu
espaço e com equilíbrio. Há também a visão pós-estruturalista que analisa as
questões de significado, verificando o que é verdadeiro e sua causa.
Diante do exposto, pode-se entender
o papel político presente no currículo e a sua importância para a organização
da ação pedagógica. É onde a escola se organiza, traça seu caminho e se orienta
para a prática. Dessa forma, para o seu planejamento tem que se pensar no que
se quer, que tipo de indivíduo se quer formar, qual o papel de professor e
escola nesse processo de aprendizagem e lembrando do papel social, político e
ideológico que o currículo tem. Com os trabalhos em andamento é importante
analisar, avaliar, verificar, reformular e mantê-lo atualizado para a
aprendizagem ser significativa.
BIBLIOGRAFIA: MALTA, Shirley Cristina Lacerda. Uma abordagem sobre currículo e teorias afins visando à compreensão e mudança. Espaço do currículo. Vol. 6. N. 2 Pag 340 a 354. Maio a Agosto de 2013.
Um bom resumo temos aqui...Parabéns!
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