segunda-feira, 13 de março de 2017

Resumo do artigo "Uma abordagem sobre currículo e teorias afins visando à compreensão e mudança"

UMA ABORDAGEM SOBRE CURRÍCULO E TEORIAS AFINS VISANDO À COMPREENSÃO E MUDANÇA

            No olhar tradicional, currículo era um tópico técnico (organização) sendo neutro, científico e desinteressado.
            Nos olhares críticos e pós críticos o currículo era visto como campo ético e moral relacionando saber, identidade e poder.
            Teorias críticas questionavam a solidificação do currículo e passavam do conceito pedagógico para os de ideologia e poder. Para as teorias pós críticas o currículo forma o que o indivíduo é.
            É possível entender que o currículo está presente no dia a dia da educação influenciando pessoas, processos escolares, sociedade, decisões e atitudes.
            Definir currículo não é uma tarefa fácil, pois existem várias definições de acordo com a sua época histórica, corrente pedagógica e teoria de aprendizagem, como por exemplo, o enfoque tradicional, o cognitivo, o técnico, o de auto-realização e o de reconstrução social. Alguns veem essa temática como objeto da atividade, mas é aluno e professor que a colocam em prática.
            Currículo é muito usado para definir programas de uma disciplina ou curso, seus materiais e suas metodologias. Porém é importante para a definição de currículo pensa-lo com as seguintes perguntas: Para que ensinar? Para quem ensinar? O que ensinar? e De que forma ensinar? Essas questões são importantes, pois existem valores, ideologias, interesses e necessidades e precisando de referenciais filosóficos, históricos e políticos para defini-los sempre dependendo de um projeto de homem e sociedade que se almeja, bem como a proposta pedagógica determinada.
            Na sala de aula o currículo é percebido como formal (o que é desejado), operacional (o que ocorre), percebido (o que o professor diz desenvolver) e experenciado (o que o aluno percebe e reage).
            O currículo aparece primeiramente nos EUA em 1920 com a industrialização e seu modelo é a fábrica. Ele está relacionado ao que o ser humano é, o que desenvolve, o que ele se torna, bem como envolvendo questões de poder em todas as relações da sociedade.
            O currículo para ser moldado tem a seleção do conhecimento que é importante para quem vai segui-lo, buscando a modificação dessas pessoas e sendo uma questão de identidade, onde se concentram as teorias dos currículos, que dão prioridade a natureza da aprendizagem, conhecimento, cultura, sociedade e humana:
            - Teoria Tradicional: Identifica os objetivos da escola, forma o trabalhador especializado (exercer suas obrigações profissionais com eficiência) e proporciona a educação acadêmica. Tem como palavra-chave a eficiência, organizado de forma mecânica e burocrática. Visava o levantamento e desenvolvimento de habilidades, planejando e elaborando instrumentos de avaliação. Para que isso fosse feiro era preciso um estudo sobre os discentes, vida fora da escola e sugestões de especialistas, respeitando a filosofia social e educacional bem como a psicologia de aprendizagem. Outra teoria dentro da tradicional (Dewey) se preocupava com a democracia, considerando os interesses e experiências dos alunos.
            - Teoria Crítica: Tendo como ponte o currículo a ideologia dominante transmite seus princípios e sua cultura nas disciplinas e conteúdos, reproduzindo seus interesses, fazendo com que as classes dominadas se tornem submissas à classe dominante, fato esse, percebidos nas escolas de atualmente, principalmente observando as particulares e públicas, onde é possível perceber que a classe dominada frequenta a escola até o nível básico de escolarização. Outras teorias dentro da Crítica podem ser observadas, como: a reconceptualização que enfatizava observar as experiências cotidianas de forma pessoal e subjetiva e levar em conta como os envolvidos desenvolviam os significados sobre o conhecimento; Apple, baseado nas análises de Marx, que considera analisar valores, normas, disposições e ideologias que compõe o currículo; Henry Giroux compreendia o currículo como meio de emancipar e libertar, exercendo práticas democráticas, fazendo com que o aluno participe, discuta e questione as práticas sociais, políticas e econômicas, criando significados sociais; Paulo Freire considerava que currículo era uma educação bancária, onde informações e fatos eram transferidos de professor para aluno e propondo o conceito de educação problematizadora, que utiliza as experiências e realidade dos alunos para planejar os conteúdos programados, tornando a aprendizagem significativa; a Nova Sociologia da Educação se preocupava com o processamento de pessoas e não de conhecimentos; de Berstein que definiu três sistemas de mensagem na educação formal: currículo (conhecimento básico), pedagogia (transmissão válida do conhecimento) e avaliação (realização válida do conhecimento), se preocupando também com a estrutura do currículo; e um ponto importante: o Currículo Oculto, onde nem tudo que se é ensinado é explicito, nem tudo é teoria, como a aprendizagem de comportamentos, valores e atitudes, que podem ser positivas ou negativas (regras, rituais e regulamentos) e é preciso verificar essas práticas e conhecimentos para mudar quando for preciso.
            - Teorias Pós Críticas: Essa teoria destaca a questão do multiculturalismo contra a cultura branca, masculina, europeia e heterossexual, entendendo que a tolerância, o respeito e a convivência harmoniosa entre as culturas faria com que todos tivessem seu espaço e com equilíbrio. Há também a visão pós-estruturalista que analisa as questões de significado, verificando o que é verdadeiro e sua causa.

            Diante do exposto, pode-se entender o papel político presente no currículo e a sua importância para a organização da ação pedagógica. É onde a escola se organiza, traça seu caminho e se orienta para a prática. Dessa forma, para o seu planejamento tem que se pensar no que se quer, que tipo de indivíduo se quer formar, qual o papel de professor e escola nesse processo de aprendizagem e lembrando do papel social, político e ideológico que o currículo tem. Com os trabalhos em andamento é importante analisar, avaliar, verificar, reformular e mantê-lo atualizado para a aprendizagem ser significativa.

BIBLIOGRAFIA: MALTA, Shirley Cristina Lacerda. Uma abordagem sobre currículo e teorias afins visando à compreensão e mudança. Espaço do currículo. Vol. 6. N. 2 Pag 340 a 354. Maio a Agosto de 2013.

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