segunda-feira, 20 de março de 2017

Diário de Bordo - Aula 2 - 14/03/2017

Nossa segunda aula começou com dois convites da Cirandas de Formação: 21/03 com Fabrícia di Biaso falando sobre Neurociência na Educação e 27/03 com Zeca Maurício falando sobre Meditação em tempos de crise.

Tivemos um diálogo sobre o GTPA do dia 11/03 onde os alunos que estiveram presentes comentaram suas reflexões sobre esse encontro.

Uma poesia começou as nossas reflexões sobre Currículo:

NÃO ENTENDO O ESPANTO (Jorge Eli)

Adivinhe onde ando?
Há um tempo procuro e não sei
Não entendo o teu espanto
Adivinhe o que escondo?
Já é tempo de tudo dizer, se eu caio ou levanto

Eu sou tolo assim
Como tudo que escapou de mim
Ao passar dos meus anos
Sou louco assim
Como tudo que é estranho em ti
Tua força e teu pranto

Adivinhe o que planto?
Sementes de tudo que sei
Ao pesar dos meus enganos
Eu mudei os planos
Já é tempo de tudo saber
Como se dói um tombo

E eu ainda te estranho e ainda me engano
Porque o caminho é longo
E eu não me importo onde ando

Trago aqui pedaços de tudo que vi
Se eu ainda te espanto
Vou seguir a estrada que há muito parti
E levar-te em meus sonhos

Adivinhe onde ando?
Adivinhe o que escondo?
Adivinhe o que planto?
Bem eu... mudei os planos

Trago aqui
Pedaços...

Esse momento nos fez lembramos das nossas experiências passadas e podemos dizer que foi emocionante.

Várias palavras foram relacionadas com o currículo ou a escola:

- O  currículo espanta e está sempre em construção;

- Somos pedaços de nossos alunos e professores como pedaços costurados, numa colcha de retalhos, formando nossa personalidade, bem como plantamos sementes em nossos alunos, sementes que vemos e as que nem sabemos que estamos plantando;

- Somos seres inconclusos, incompletos em constante aprendizagem.

- As vezes nos enganamos em relação a alguma aprendizagem ou a alguém;

- Temos vivências, jornadas, escolhas, desejos e procuras em nossas vidas e chegamos a conclusão que estar na Educação nos faz loucos, porém uma loucura necessária.

Falando sobre o texto "UMA ABORDAGEM SOBRE CURRÍCULO E TEORIAS AFINS VISANDO À COMPREENSÃO E MUDANÇA" refletimos que:

- O currículo é poderoso, colocando esteriótipos, é imposto e um percurso/curso a seguir, não é um hall de disciplinas, é abstrato, é experiências vivenciadas, é produção de sentido (compreensão individual), de significados (produção coletiva) e de identidade;

- Os currículos formam o que queremos formar? A resposta está mais pro negativo do que pro positivo, infelizmente;

- O currículo começa lá na Grécia com o Trivium e o Quadrivium, mas o modelo de currículo é iniciado nos EUA em 1920 sendo a organização de um certo conhecimento para a educação das gerações futuras, instrumento que adequa necessidades de mão de obra, um instrumento para sociedade capitalista, tem dimensão ideológica.

Nesse momento analisamos o que seria o conceito de Ideologia: Para Bonaparte era no sentido de Utopia. Para Karl Marx a sociedade é dividida em classes, ligado a economia e definido valores, nesse sentido, ideologia deforma e maqueia as coisas, sendo uma capa que disfarça a realidade, tentando justificar o injustificável, ajudando a manter o poder nas mãos de poucos.

Assim, o currículo é uma dimensão ideológica que usa de Aparelhos Ideológicos do Estado (AIE), onde instituições explicam e veiculam como deve ser as leis, o que é para ser e as religiões, a mídia e a escola, no papel do currículo são as responsáveis.

Voltando ao texto, Bordieu explica que a escola é reprodutivista pelo currículo, que é a lente (ideologia, sendo superficial).

O currículo é entendido como um conjunto de teorias. Currículo prescritivo como aquele que organiza, como currículo de massa, adaptando de acordo com as avaliações externas.

Para Paulo Freire é importante levar em conta o contexto do aluno.

Na teoria tradicional, o currículo é técnico.

Na teoria Crítica surgem os movimentos (contra cultura e estudantis). Nesse caso, o currículo é produção social no determinado momento, contexto e história. Essa teoria foi influenciada por Freire.

Várias ciências influenciam o currículo, tornando-o poroso. O sujeito é subjetivo, portanto o currículo deve atender a pessoas diferentes, conjuntos de experiências que proporcionam e as que estão implícitos.

Nesse momento surgiu a reflexão sobre Currículo oculto que chegamos a conclusão que causa gritos ou muito silêncio na escola.

Falamos também sobre o currículo formal (o que é desejado), operacional (o que ocorre), percebido (o que o professor diz desenvolver) e experenciado (o que o aluno percebe e reage), portanto existe um currículo que é prescrito e o que é desenvolvido.

Concluímos que Currículo deve ser reflexivo (não uma verdade acabada) e pode ser instrumento de repressão ou libertação.

Para a próxima aula faremos um esquema de um texto para apresentar aos colegas (atividade em grupo).







Um comentário:

  1. As ambiguidades do currículo! Muito bem posto! Mas, atenção, a ideologia como utopia não é de Napoleão, mas de sua época...

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