Nossa aula começou com os comentários do XII Seminário Nacional da História da Matemática que aconteceu na semana anterior na UNIFEI e com um convite da Professora para a Ciranda de Formação do próximo dia 24 de abril.
Começamos as apresentações dos artigos propostos pela professora:
- A natureza da ciência nos currículos de ciências: Estudo do currículo de Ciências Naturais do 3° ciclo do ensino básico, pelo aluno Arian;
- Michael Young e o campo do currículo: da ênfase no "conhecimento dos poderosos" à defesa do "conhecimento poderoso", pelo aluno Carlos;
- Histórico do currículo e das disciplinas escolares: balanço da investigação portuguesa, pela aluna Michele;
- Currículo, avaliação e trabalho pedagógico: um olhar tridimensional sobre a escola organizada em ciclos, pela aluna Auxiliadora.
O primeiro texto faz uma análise do currículo na área das Ciências com base nos documentos "Currículo Nacional do Ensino Básico" e "Orientações Curriculares do Ensino Básico" onde a Natureza da Ciência se dá pelos aspectos filosóficos-metodológicos (métodos usados pelos cientistas para fazer a ciência), histórica que se constrói ao longo do tempo, psicológica dos cientistas que influencia na atividade científica e sociológica que engloba as relações sociais na comunidade cientifica e com a sociedade. Do outro lado está o discurso pedagógico como processo de construção, prática social na interdisciplinaridade, intradisciplinaridade, relação professor aluno, conceitos e avaliação. Assim, é possível perceber que o currículo não contempla a natureza da ciência, com uma grande distância entre as duas e fazendo com que a ciência seja mistificada, porém, mesmo com as especificidades das ciências, é preciso haver uma interligação entre ciências e currículo.
O segundo texto confirma o que o segundo expôs sobre o conhecimento poderoso, sendo aquele que torna o aluno crítico, transformador da sociedade e dá poder ao sujeito, e conhecimentos dos poderosos, que são aqueles "escolhidos" pelo governo para ser ensinado nas escolas de acordo com a ideologia de cada época, como papel político e garantindo a ordem social. Nesse sentido, há uma distância entre currículo e cotidiano, uma deficiência no currículo na formação de professores e concluí afirmando que conhecimento dos poderosos é dominação, já o conhecimento poderoso é libertação, que dá poder as lutas sociais e faz diferença para o sociedade. Assim é preciso encontrar as brechas do currículo.
O terceiro texto começa explicando sobre a cultura escolar que são teorias, ideias, rituais, comportamentos e atitudes que produz e institucionalizam as disciplinas. É preciso que aconteça a transposição didática, transformando as matérias científicas em disciplinas escolares como prática social (voltando aí novamente ao cotidiano), porém o currículo é uma regulação social, um governo de aulas, controlando a sociedade, valorizando o poder (governo da época) e com a análise dos autores desse texto é possível reconhecer na histórias das disciplinas por eles estudadas no artigo, na época da ditadura em Portugal, mostraram um adestramento (Parece que já ouvi essa história em outro país!). Nosso amigo Ney, nesse momento, fez uma reflexão que tenho certeza que foi importante para todos nós: "A escola está negando o inegável (as diferenças e a sua autonomia) perdendo assim, a sua legitimidade". Mas, vemos uma luz ao fim do túnel, apesar dessa "rigidez" do currículo, pois há uma subjetividade com a cultura fora da escola que penetra na escola pelas brechas do currículo.
O último texto apresentado na aula faz reflexões sobre o papel do currículo, avaliação e organização do trabalho pedagógico nas escolas organizadas em ciclos, sendo preciso reorganizar todo o contexto escolar desde o espaço físico até as formas de avaliação pensando na inter, multi e transdisciplinaridade, buscando a humanização num trabalho conjunto, de constante avaliação do trabalho docente e levando a formação continuada de todos os envolvidos com a aprendizagem.
Na próxima postagem continuaremos com os estudos dos artigos.
Abraços.
Ótimas reflexões Priscila! Mais uma vez vemos a relação entre poder e currículo, que ficou bem evidente nessa aula. :)
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